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sábado, fevereiro 02, 2008

Verdade ou ficção?

(Kurt Halsey)

Jorge Alberto era um rapaz trabalhador. Sempre o fora. E sensível. Diria até que os méritos alcançados em seu ofício dependiam quase que exclusivamente disso. Talvez por isto fosse conhecido por atirar-se em cada relacionamento como se respirar ou acordar no dia seguinte dependessem disso. Razão pela qual ficara tão desnorteado após a ruptura inesperada de sua última relação. Seu grande amor daquele momento resolvera ir tentar a sorte em águas estrangeiras.E com o Atlântico a separá-los ficava de fato complicado manter o romance. Decidiram romper de comum acordo.

Quer dizer, Jorge Alberto ficou com a sensação que decidiram por ele. No fundo, bem lá no fundo, naquele pedacinho escondido das entranhas que nos faz ter vontade de jogar tudo para o alto e sair correndo embaixo da chuva a gritar como gatos no cio, sua vontade era outra. Mas aprendera com o tempo, e com os vários relacionamentos anteriores que a palavra do outro tinha mais força que a sua.

Era sensível até demais, alguém diria. Tanto que optara por sufocar mais uma vez aquele eu rebelde que teimava em não deixá-lo dormir à noite. E porque entregar-se às mãos reparadoras de Morpheu era a única coisa que parecia impossível após a separação definitiva, fora atraído irremediavelmente para as noitadas regadas a campari e flertes baratos.

O negócio recém-estabelecido, montado na frente da casa onde vivia, começava a sofrer as conseqüências das noites em claro. Era fácil agora encontrar espaço na agenda lotada há poucas semanas atrás. Sua gerente-sócia-confidente sugerira que tirasse uns dias de folga. Ir ao cinema, ver o pôr-do-sol, quem sabe dar uma olhada naquele exposição maravilhosa daquele pintor recém-descoberto. Melhor ainda, comprar um carro novinho em folha, cheio de acessórios modernos, como queria há tanto tempo. Gastar sem dó nem piedade, acalentar-se. Talvez assim o coração resolvesse que era hora de partir para outra.

Mas nada resolvia. Achava até que as férias compulsórias pioraram a situação. Agora tinha mais tempo livre para chorar e revirar álbuns de fotografias dos momentos a dois. E as noitadas transformaram-se em raves intermináveis.

Até que uma madrugada, voltando para casa sabe-se lá quantos camparis depois, volante e mãos confundiram-se ao fazerem a última curva do caminho. Os pés não sabiam a diferença entre frear e acelerar e acabou por atropelar vários piquetes de ferro na calçada em frente ao hospital do exército localizado na mesma rua em que morava. Sabia que o estrago tinha sido grande pelo barulho do motor ao parar de vez. E pela fumaça que se insinuava entre os destroços do carro zero quilômetro comprado há menos de uma semana e ainda sem seguro.

Abriu a porta já em desespero quando percebeu que vários soldados o cercavam, todos munidos de fuzis e com caras de poucos amigos. A rua deserta, salvo pelos olhares curiosos e sonolentos de alguns vizinhos. Foi quando não se controlou mais. O fogo interno, aquele que mantinha aprisionado sob camadas e camadas de bom comportamento e sensibilidade, entrou em ebulição repentinamente. E Jorge Alberto explodiu. Rasgou a camisa em gesto dramático e de braços abertos e mãos espalmadas gritou valorosamente:

- MATA! MATA A BICHA! ACABA COM ELA! ACABA COM TUDO! NADA MAIS ME IMPORTA!

Dizem por aí que depois dessa Jorge Alberto se curou de vez. E que anda de namorado novo. Acho que um sargento do exército. Mas pode ser boato.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

E o carnaval está chegando...

Eu adorava carnaval. No tempo em que ir atrás do trio era uma possibilidade real e a gente não tinha medo de levar facada no meio do povo. Até porque esse povo dançava e brincava feliz, sem a violência que cai sobre nós qual manto opressor. Pelo menos eu já curti muito, muito mesmo, sem precisar pagar preços extorsivos para a pseudo proteção das cordas dos blocos de trio. Lá pelos meus dezessete anos os blocos já eram um luxo, mas ninguém precisava deles para acompanhar a folia, já que a rua era de quem queria curtir o carnaval e não dos camarotes vendidos a peso de ouro como acontece hoje em dia. Paciência. Hoje não vou mais à rua no carnaval, mas posso dizer que aproveitei muito enquanto a violência ainda não acontecia tão vigorosamente. A única coisa que nunca consegui fazer foi virar a noite da terça para a quarta e acompanhar o clássico encontro de trios na Praça Castro Alves. Hoje em dia, até este não resiste mais. São dois ou três gatos pingados que tentam, sem sucesso, reproduzir os áureos tempos de Baby, Pepeu e Moraes Moreira. Grande pena. Mas reflexo dos tempos. O povão agora prefere ir atrás de Ivetona e sua Madeirada. Acabou-se a poesia na praça do poeta.

Ainda sobre carnaval, uma das notícias recentes aqui em Salvador foi a compra de 20 latões devidamente disfarçados sob a alcunha de celas modulares, ou ainda, unidades prisionais móveis, para "custodiar provisoriamente presos durante os festejos carnavalescos". Segundo a maravilhosa propaganda de tão brilhante idéia, os tais contêineres de doze metros de comprimento por 2,40 metros de largura e 2,40 metros de altura além de receberem 7 beliches, instalação hidráulica, água filtrada e até banquinhos e mesa para os "internos" possam ler e escrever, também dispõem de isolamento termoacústico para proteção dos efeitos provocados pelo sol (leia-se calor de cozinhar cérebro dentro desse latão). Eu não sei não, mas pela foto o espaço me parece bastante exíguo, e olhe que ângulo normalmente ajuda nessas horas... A sucursal baiana da OAB, até dezembro criticava duramente a proposta. Não mais que de repente, agora defende vigorosamente a implementação dos tais latões. Para mim, o que vai acontecer é bem simples. Ao invés dos 14 internos provisoriamente custodiados durante o carnaval, vão socar pelo menos uns cinquenta pobres-diabos ad infinitum nesse inovador modelo de celas permanentes provisórias. Com o perdão da expressão chula, posto que outra não encontro para expressar o meu sentimento a respeito, "tratamento humanitário, respeitoso e digno" my ass!!!

Ah, e antes que eu me esqueça... a quem pertence a empresa que prepara e comercializa as belezuras?

Quer ler mais a respeito? Aqui e aqui .

sábado, janeiro 26, 2008

Enquanto isso, na sala de justiça...

O meu mau humor começa a se dissipar. E enquanto eu brinco de tentar escrever algo, deixo com vocês um vídeo pra lá de bacana de um titereiro (aquele que mexe com fantoches) que ganhou um prêmio sei lá qual na televisão francesa. Vale super a pena.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Decifra-me ou te devoro

(Gustave Moreau: Édipo e a esfinge)

TPM histérica e um começo de rinite... Volto assim que ficar mais sociável, porque assim ninguém me compreende. E acho que nem eu quero...

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Bom fim de semana!

A semana foi corridaça e, misturada com algumas horinhas de BBB, ando morrendo de sono, confesso. Por isso Florisberto provavelmente aparecerá esse fim de semana, eu espero, quando eu posso dormir altas horas e compensar o sono no dia seguinte. É, tenho esse probleminha, só consigo escrever tarde da noite ou de manhã bem cedinho. E nenhum dos horários me tem sido possível esses dias. Vou deixar aqui o vídeo de uma canção que adoro, bem bobinha, mas deliciosa. E que descobri ontem ser de um grupo chamado Sixpence None the Richer , e não de The Cranberries, como pensava. Enjoy it!

domingo, janeiro 13, 2008

Notícias

Gente, tem post novo no Cutuque a fera. Clique aqui ou nos links aí do lado.

O segundo capítulo da saga de Florisberto continua ainda essa semana.

Blog novo

Gente,

Só para não misturar as estações, resolvi escrever em outro blog as minhas considerações bigbrodianas. Assim, Tita, não incomodo os visitantes que não gostam do programinha, que tal? :)

Ei-lo: Eu gosto de BBB, e daí? .

sexta-feira, janeiro 11, 2008

As aventuras e desventuras de Florisberto, o contínuo

Capítulo 1

Meu nome de batismo é Florisberto de Jesus dos Anjos Amoroso. De verdade. Meu santo pai, que lá de cima deve estar me olhando, achou pouco o Jesus de mainha junto com o Anjos Amoroso dele e resolveu me chamar pelo nome do meu bisavô. Dizia que era para ver se eu seguia os passos do velho, que chegou a cabo do exército e aos 102 anos ainda fazia filho. Lá na roça farda era sinal de respeito. Perdi as contas da quantidade de menino e menina que chamava o velho Florisberto de padrinho.

Não sei se posso agradecer ao pai pela boa-intenção. É só por causa delas que o ditado existe. E acho que o meu caso taí pra provar. De começo, para me diferenciarem do velho Florisberto, fui chamado de Flor. Impossível explicar o que é para um meninote em pleno sertão nordestino ter de atender pela alcunha de Flor. Era batata. Quando os meninos maiores cansavam de amarrar lata no rabo dos gatos e destripar rãs, sobrava para mim. Todo dia era uma ruma de moleques gritando meu apelido na porta de casa. Mainha sempre achou que eu era o mais popular da rua. E nunca entendeu porque ao invés de atender ao chamado eu preferia sumir pelo quintal. Só eu sabia o que aqueles gritos significavam.

Nasci sem sorte mesmo. Tenho para mim até hoje que no dia em que nasci Deus tava de folga e deixou aquele lá de baixo tomando conta. Mainha dizia que era tudo culpa de um rabo-de-saia com quem meu pai tinha andado se engraçando porque ela o injeitou durante a gravidez. Que a peste da mulher tinha rogado praga na barriga dela. Toda vez que ela começava a contar a história ele resmungava que era maluquice da cabeça dela e saía andando. Mas eu juro que o vi um par de vezes se benzendo disfarçado. Pelo sim, pelo não, essa era a única história que se conhecia sobre ele. Vai ver sabia mais do que os resmungos mostravam.

Cresci no meio das galinhas e porcos que minha mãe criava. Mainha vivia ocupada entre a criação e os afazeres da casa. Talvez por isso nunca consigo lembrar dela me fazendo carinho. Talvez por isso também eu fizesse questão de andar com os pés no chão. Vivia torcendo para pegar bicho de pé. Eram as únicas vezes em que minha mãe me sentava no colo dela, afagando minha cabeça enquanto meu pai esquentava a agulha para extrair o inconveniente. E nessas horas eu caprichava no choro, só para sentir os dedos calejados e os lábios secos acariciando a minha fronte. Mariazinha dizia que é por isso que fiquei tão grudento para o lado de mulher. Falta de amor de mãe. Quer dizer, falta de amor não, que isso eu tenho certeza ela tinha, apesar da secura da voz. Foi falta de carinho mesmo. Virei um cão sarnento, abanando o rabo para a primeira que me olhar por mais de dois segundos.

Meu pai morreu antes. Eu era menino ainda. Mainha ainda se aguentou uns anos. Mas no final a danada da terçã foi mais forte. Levou os dois. Depois disso fui criado na casa de um e outro, até ficar esperto o bastante para saber que a vida podia ser mais do que aquilo que eu vivia. Lá na roça o povo até hoje diz que foi por causa de Mariazinha e aquele filho de uma égua estrupiada que apareceu por lá e a levou numa boléia de caminhão. Eu digo que não, já andava pensando em ir embora há tempos. O anel que me custou vários dias sem almoço enterrei no pátio atrás da igreja. Ali mesmo ficou meu passado e começou meu presente. Esse, que vivo hoje.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Curiosidade matou o gato...

- E aí? Gostou?
- Amiga, tá ótimo!
- Tá mesmo?
- Aff, com certeza. Ele vai amar!
- E se...
- Não tem nem se nem quem sabe. Impossível alguém não gostar. Só sendo louco.
- É, louco ele não é. Quer dizer, talvez por mim, né? (dá uma piscadinha marota)
- Por você? Eu sei bem pelo que ele é louco. E nesse quesito, meu bem, você dá show!
- Ai, amiga, tão bom ter você por perto. Juro que eu fiquei insegura dessa vez. Bateu aquela dúvida. Será que eu fiz bem?
- Ôxi, menina! Mas é claro que fez! Já disse que tá ótimo! Aliás, tá supremo!
- Supremo? E alguém ainda fala isso? Só você mesmo...

- Meu amor, onde eu assino para recomendar? Falei e tá falado. Ficou divino o ...

Precisa dizer mais alguma coisa?

terça-feira, janeiro 08, 2008

Acredite!

Seis horas da tarde e ainda é dia em Salvador. Por acaso hoje é o solstício?

Estréia!

Pois é, gente. Finalmente estreei lá no Cutuque a fera . Passem lá para conhecer a casa. Update: Parece que o link acima tá dando erro. Tente de novo aqui . Se não der certo, procure aí do lado, em "Por onde eu ando".

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Poucas.

Salvador está quente. Muito quente. Não dá vontade de fazer nada e sonho com mar e coqueiros à toda hora. Tá certo, aqui tem mar e coqueiros. Mas acontece que eu sonho com eles e comigo, de férias e sem obrigação de acordar às seis com um solão de dez e meia.

A escola está em obras. Ou seja, sol de rachar coquinho e poeira, muita poeira.

Notícia boa? O almoço na casa materna foi um sucesso. Conversinhas à tôa, um bacalhau com nata hiper delicioso (sagrado, todo ano) e até uma partidinha de buraco rolou. Caiu o queixo? Só posso acreditar que minha irmã do meio passou a semana fazendo lavagem cerebral na mamma e na outra irmã. Se houve comentários desagradáveis devem ter deixado para depois. O que para mim é jogo. O que os olhos não vêem...

Os posts andam escassos, eu sei. Não vou abandonar o blog não, Bruninha (Aliciante, link aí do lado), pode ficar tranquila. Mas é que o sol e a poeira me tiram toda e qualquer poesia. Aliás, tiram até a minha indignação. Já viram o que o excelentíssimo @$%!&@*! aprontou? Quem foi que tinha prometido que não ia aumentar imposto desmentindo o (vou ser bem boazinha) pobrezinho do Mantega? Deixou o "minino" todo sem-graça e taí, ó. Ó mesmo. Uó!

Então tá. O Rayol (Jus Indignatus, link aí do lado) outro dia me colocou numa sinuca para revelar meu Lado B em um meme. An, e por falar em memes, visitem o Cutuque a fera (link aí do lado, tou hiperpreguiçosa hoje). Começou como uma brincadeira para tirar sarro do Rayol que simplesmente os odeia e virou uma brincadeira interessante. E se tiverem idéias para memes escabrosos, passem por lá e deixem um comentário. Vamos adorar respondê-los.

Voltando para o meme do Lado B, posso dizer que tenho vários lados, B, C, D, a gosto do freguês. Mas o que me deixa mais morta de vergonha de todos, do tipo que o povo acadêmico tira a maior onda para cima de mim e que eu não consigo abandonar de forma alguma, muito embora esse ano eu tenha prometido nem querer saber dele, que é um danado de viciante e se eu der uma colherzinha de medida de remédio para passarinho não consigo largar mais, é... bem, é.... aham... o seguinte... ai, nem vou escrever, vc fica sabendo aqui e aproveita para conhecer um blog superengraçado.

domingo, dezembro 30, 2007

Quem é vivo...

Ai, povo, tenho andado distraída, impaciente e indecisa, e também um tanto sumida.

Tá certo, eu queria uma linha bonitinha para rimar com sumida e lembrei do Legião. Na verdade, não escutava esse som há séculos, mas adivinha qual a banda favorita de Gabi? Acredite, a danada é fanzoca de Legião Urbana e, pasmem, Raul Seixas. Qual a idade da precoce mesmo? Seis aninhos e uns três meses. A garota sabe todas as letras, acompanha cantando no maior entusiasmo. Mas porquê eu entrei nisso? Ah, por causa da rima. E porque andei baixando algumas músicas do Legião e Raulzito para colocar no MP3 que ela ganhou de Natal.

Mas voltando ao meu sumiço, devo culpar em parte o trabalho, digamos uns 50%. Preciso assumir que 20% foram absoluta falta de inspiração e (ao contrário de Gabi com as músicas da Legião) entusiasmo. Pronto, falei! Não me massacrem. Vocês vão entender quando eu disser a razão da falta de vontade.

Os restantes 30% são culpa exclusiva do almoço que estou intimada a comparecer no dia primeiro de janeiro. Eu já andei dizendo por aqui que tenho uma relação complicadíssima com minha mãe. Do tipo que me deixa atordoada e nervosa ao mesmo tempo a qualquer sinal de contato mais pessoal além dos telefonemas mensais. Algo como um lado carente dizendo que sim, e essa vida da gente gritando que não (Gonzaguinha - hoje eu estou super nostálgica). Só que minhas irmãs que moram fora de Salvador vieram passar o Natal e Ano Novo por aqui. Eu consegui pular o Natal, já que todas viajaram na última semana para Morro de São Paulo e eu não "podia" ficar tanto tempo afastada da escola. Resultado, do Ano Novo eu não tenho como escapar. E vou ter de respirar fundo, orar uns tantos decretos, pedir a luz dos irmãos divinos e me submeter à santa inquisição familiar. É que eu sou meio ovelha negra. Mais não digo.

Bom, enquanto eu me preparo psicologicamente para o almoço na terça-feira, a Tita apareceu com uma idéia pra lá de boa no blog dela. E como idéia boa deve ser propagada (com os devidos créditos, é claro), eu vou lançar aqui também. O negócio é o seguinte:

A trituradora do que é ruim

Em Nova York algumas pessoas resolveram jogar em uma trituradora tudo que lembra os momentos ruins de 2007! Celulares, fotos de ex- namorados (as), garrafas de bebidas!

Agora faça o seguinte exercício mental....Se fosse aqui no Brasil....Jogaríamos o que...amei a idéia ...Resolvi instalar um triturador aqui no Blog(exercício mental rsrs)

Queridos sintam - se a vontade para colocar tudo para fora.....toda a urucubaca e os sapos enterrados.....

Bom, eu jogo nessa trituradora maravilhosa da Tita todos os escândalos políticos desse ano, a vergonhosa história Mônica Veloso, o prefeito de Salvador, e, num âmbito mais pessoal, as brigas e discussões bobocas geradas por puro cansaço e tensão nervosa e que esse ano foram, infelizmente, muitas. E, como não poderia deixar de ser em se tratando de final do ano, resolvo triturar a inveja, o mau-olhado, a fofoca, o desprezo, o preconceito, o desamor, e mais lá quantos sentimentos mesquinhos que resolveram se apoderar de mim esse ano, ainda que em módicas porções (é, eu também peco...).

Aproveito para deixar um beijo coletivo em todos aqueles que comentaram nos últimos posts e que eu ainda não respondi. Não respondi, mas li todinhos, e adoro vocês, queridos amigos desse lado daí.

Um boníssimo ano para todos, e muito amor no coração!!!

terça-feira, dezembro 25, 2007

Um desejo natalino...

A letra e tradução você encontra aqui .

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Feliz Natal!!!

Clique na imagem para ler o cartão!!!
(wallpaper: Kurt Halsey)

quinta-feira, dezembro 13, 2007

A carta

(TERBORCH, Gerard:A Lady Reading a Letter, 1662)

Agora era real. Acabara de receber a carta. Epílogo de tantas outras benfazejas, esta trazia a marca do descaminho.

Incrível é que tinham sido tão felizes juntos. As fotos não mentiam. Escancaravam a verdade dos passeios, dos longos feriados em pousadinhas deliciosas. Os presentes estavam ali, corajosamente acenando para um passado bem vivido e não tão distante assim. A geladeira cheia de frique-friques, incapaz de aborrecer com insignificâncias. Descongelar o freezer? Há muitos anos desconhecia este trabalho. Fogão com forno duplo, lava-louças, uma bela cozinha, sem dúvida. Aliás, todo o apartamento estava muitíssimo bem equipado. Podia dizer em alto e bom som que tinha "de um tudo".

Gastara muito. Sempre o fizera. Mas havia uma solução à mão em todos os momentos. E nunca se arrependera.

As cartas traziam mimos de toda sorte. Em vários momentos chegou a pensar que eram um só, tal a proximidade que mantinham. Sua confiança era tanta que por algum tempo as ignorava. Elas, as cartas. Paparicavam-na. Ofereceram-lhe prazeres e pecados. E se perdera em todos.

É fato, sentira-se iluminada. O mundo, ao alcance do seu desejo. E as cartas por muito tempo lhe impediram acreditar diferente.

Até hoje. Quer dizer, hoje surpreendeu-se quando notou a presença em sua caixa postal. Por um segundo, regozijou-se. Recuperou naquele breve espaço de tempo a alegria esquecida. Levou-a de encontro ao peito. Aqueceu-se de emoção. Naquele curtíssimo, transitório lapso temporal acreditou que tudo seria como antes. Quase esqueceu os meses sem correspondência alguma.

Mas alguma coisa a incomodava. A carta parecia diferente. Uma distância que não conhecia. Receava admitir a frieza daquele ente outrora tão cálido. Acomodou-a na bolsa. Tomou o ônibus não lembrava como. Sabia que torcera os dedos nervosamente durante todo o trajeto. Os degraus da escada que levavam ao apartamento eram infinitos. Sim, fora incapaz de manter a bela casa com piscina. A chave encontrou a fechadura com sofreguidão. Uma ansiedadade a impelia.

Encontrou a carta dentro da bolsa. E de repente não conseguia mais esperar. Rasgou o envelope fervorosamente, suplicava em seu íntimo por aqueles dias acalentados na memória. E a carta lhe dizia, sem qualquer preâmbulo...

Estava inscrita no Serviço de Proteção ao Crédito, definitivamente.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Do sumiço e Histórias de Gabi e Alice III

E o ano letivo terminou. Os resultados foram entregues. Meu corpo está dolorido de tal forma que parece tomei uma surra. Noites perdidas fechando pacotes de provas, calculando médias e refletindo o Conselho de Classe. Acho que toda profissão tem seus picos. Aqueles momentos em que o trabalho é tanto que a gente até pensa que não vai dar conta. Mas dá. Já deu. Agora são duas semanas de recuperação para três ou quatro gatos-pingados. E eu fico retada!

Detesto recuperação. Faço de tudo durante o ano para que os meninos caminhem tranquilos. Empurro daqui, sacudo dali. Mas não tem jeito. Sempre acabo (ou me acabo) com uns três que não desencantam nem a fórceps. Ou seja, só vou pensar em descansar um tantinho lá para o Natal. E, se deus quiser, esse ano conseguimos pelo menos uma semana de férias. É que a mãe de Gabi e Alice, sobrinha de S., veio dar uma forcinha na matrícula e talvez consigamos dar uma escapulida. Nessa brincadeira de todo ano, já contabilizo uns seis, pelo menos, sem um descanso além dos regulamentares feriados. Estressada? Nem tô...

De todo modo, dei muitas risadas na última semana, corrigindo as provas. Sabe como é, a gente ganha pouco, mas se diverte. Dia desses eu posto aqui as pérolas mais recentes dos nossos alunos queridos.

Mas, explicado o sumiço, deixo aqui as últimas de Gabi e Alice.

Gabriela terminou esse ano o Jardim, vai cursar o Alfabetização em 2008. Isso não a impediu de perguntar a todo mundo se tinha perdido o ano. A pergunta era justamente essa: "Pró, eu perdi o ano?". Ao que todas nós, para tirar um sarro, respondíamos: "Hmmm, Gabi, sei não. Talvez você fique de recuperação." E dávamos risada. Ela passou a semana com aquela cara de "será que é verdade", e era engraçadíssimo, porque Gabita é uma figurinha. Até que ontem ela fez questão de pegar os trabalhinhos junto com a mãe. Para ela, era "o" resultado. E quando a professora disse "parabéns, Gabi!", ela imediatamente respondeu: "Eu ganhei!". Demos uma gargalhada e para todos os alunos que passaram direto, ontem demos o resultado assim: "Parabéns, você ganhou o ano!".

E Maria Alice? Bem, essa é o cão de calçola, acho que já disse aqui. Danada de pintona. Uma energia que dá cabo de todos nós. Ontem saímos por algum motivo, não lembro o qual. E Maria aprontando todas. Até que eu virei para ela e disse: "Menina, você tá pintando muito hoje, né?!". Sabe o que ela fez, do alto dos seus 1 ano e quatro meses de vida? Balançou a cabeça que sim. E me deu o sorriso mais descarado do mundo.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Outro recadinho...

CIRCO DU BRASILIS

Famoso, esplêndido, majestoso!

um grande circo sem lona.

O apresentador engalanado

solta impropérios verbais

anunciando o que não sabe,

nunca viu, e em grande estilo

o que não existe, e não existirá.

Sua perspicácia ideológica

encanta e arranca aplausos.

Os acrobatas, sob a escolta

de proteções ilusionistas,

fazem suas manobras no ar.

Havendo descuido de atuação

são chamados de aloprados

e atuam na reserva, em sigilo.

É uma apresentação de gala

cujas luzes de efeito, encobrem

aos olhos a visão da realidade.

Não há palhaços neste circo.

Eles estão nas arquibancadas

aplaudindo inocentemente

o espetáculo promovido

pelos que ocupam a área vip.

A chuva cai e os palhaços

ensopados, com frio, fome

saem de lá para morrerem

nas filas dos hospitais falidos

ou nos buracos de estradas

que já não existem mais.

Mas o show continua, aplaudido

pelo povo simples, iludido,

pois terão as sobras da comida

farta, servida na área vip.

Este é o CIRCO DU BRASILIS

cujo povo além de pagar

o espetáculo das mentiras

é enganado pelo espetáculo

do protecionismo exacerbado

e pelas promessas vãs.

Os palhaços somos nós

Brasileiras e brasileiros

que trabalham!

Ana Maria – 05/12/07

(texto gentilmente cedido pela querida Ana Maria, comentarista e poeteira das boas, indignada como todos nós com os abusos cometidos pelos mandatários em Brasília!)

terça-feira, dezembro 04, 2007

Boletim extraordinário imprescindível 2

Recadinho para os excelentíssimos senhores senadores da república das bananas... ops!... do brasil:

- Ói só, né por causa que Renan renunciou à presidência desta venerável espelunca que a gente aceita a absolvição do malandro, viu?!

Só um lembrete: